Há pessoas cuja trajetória profissional pode ser contada por uma sequência de cargos, empresas e datas. A história de Urandir Fernandes de Oliveira tomou um caminho diferente.
Nascido em Marabá Paulista, no interior de São Paulo, Urandir construiu grande parte de sua trajetória em Mato Grosso do Sul. Ao longo das últimas décadas, seu nome passou a estar associado a pesquisas sobre fenômenos pouco convencionais, empreendedorismo e à criação de projetos que posteriormente seriam reunidos sob o chamado Ecossistema Dakila.
Da curiosidade à criação de um grupo de pesquisas
Na década de 1990, Urandir e um grupo de colaboradores começaram a desenvolver atividades de pesquisa no interior de Mato Grosso do Sul. Desse movimento surgiu a Associação Projeto Portal, criada com apoio de sua família e posteriormente transformada na Dakila Pesquisas.
A organização passou a reunir pessoas interessadas em diferentes campos de investigação, incluindo astronomia, arqueologia, biologia, tecnologia e ufologia. Com o crescimento do projeto, sua atuação ultrapassou Mato Grosso do Sul e alcançou participantes de outras regiões do Brasil e do exterior.
Essa diversidade também ajuda a explicar uma característica que acompanha Urandir até hoje: sua disposição para investigar assuntos que frequentemente estão fora do consenso acadêmico.
Isso trouxe seguidores, reconhecimento e expansão de seus projetos, mas também críticas e controvérsias. Algumas das hipóteses defendidas pelo grupo — entre elas as apresentadas no documentário Terra Convexa — divergem do conhecimento científico estabelecido. A própria Dakila reconhece que sua atuação em áreas controversas desperta críticas e ceticismo.
Para Urandir, porém, questionar faz parte do processo de busca pelo conhecimento.
Zigurats: quando uma ideia ganhou endereço
Talvez nenhuma realização material represente melhor essa trajetória do que a Cidade Zigurats.
Localizada no interior de Mato Grosso do Sul, Zigurats tornou-se a sede do Ecossistema Dakila. Segundo a história oficial do projeto, sua origem remonta à década de 1990, quando o grupo liderado por Urandir buscava estabelecer um polo dedicado à pesquisa, desenvolvimento e investigação científica e paracientífica.
O lugar ganhou características próprias.
Construções de formas incomuns, casas redondas, monumentos escalonados, espaços destinados à pesquisa e uma arquitetura imediatamente reconhecível transformaram Zigurats em algo que vai além de uma sede administrativa.
Hoje, o próprio projeto apresenta o local também como destino de turismo paracientífico, aberto a visitantes interessados em conhecer sua arquitetura, pesquisas e propostas.
Do projeto de pesquisa para um ecossistema
Com o passar dos anos, a atuação deixou de ficar concentrada exclusivamente na associação.
Em torno da Dakila foram desenvolvidas iniciativas ligadas a diferentes setores, e a organização passou a utilizar a expressão Ecossistema Dakila para representar esse conjunto.
É justamente nessa transformação que aparece outra característica importante da trajetória de Urandir: a tentativa de aproximar pesquisa e empreendedorismo.
Seu nome passou a estar associado não apenas à Dakila Pesquisas e a Zigurats, mas também a iniciativas empresariais e projetos relacionados a tecnologia, comunicação, turismo, agronegócio e outros segmentos.
Uma figura que desperta opiniões
Contar a história de Urandir Fernandes sem mencionar as controvérsias seria deixar de fora uma parte importante de sua trajetória.
Seu envolvimento com ufologia e, principalmente, a repercussão nacional do episódio conhecido como “ET Bilu” fizeram com que sua imagem fosse durante muito tempo associada quase exclusivamente a esse assunto.
Mas esse episódio não resume as décadas seguintes de sua atuação.
Reportagens mais recentes sobre Urandir têm justamente procurado observar o conjunto formado por Dakila, Zigurats e suas iniciativas empresariais para além daquela imagem que ganhou projeção nacional anos atrás.
Isso não significa que suas afirmações e pesquisas devam ser aceitas sem questionamento.
Significa apenas que compreender uma trajetória exige separar fatos verificáveis, propostas apresentadas pelo próprio grupo, hipóteses ainda controversas e realizações concretas.
É essa distinção que permite contar sua história com equilíbrio.
O homem por trás de Zigurats
Depois de mais de três décadas desde as primeiras iniciativas do grupo, talvez a realização mais visível de Urandir não seja uma teoria específica.
É ter conseguido transformar uma ideia em uma estrutura física e organizacional que continua funcionando.
Onde antes havia um grupo interessado em pesquisar fenômenos pouco compreendidos, hoje existe uma cidade que recebe visitantes, uma associação de pesquisas e um conjunto de iniciativas reunidas sob uma mesma identidade.
Concorde-se ou não com todas as ideias defendidas por ele, existe uma característica difícil de ignorar em sua trajetória: Urandir Fernandes construiu sua vida em torno da disposição de questionar, experimentar e tentar transformar suas convicções em projetos concretos.
E talvez seja justamente essa combinação de curiosidade, controvérsia e capacidade de realização que explique por que seu nome continua despertando interesse depois de tantas décadas.
Para a capa da Diamante, eu usaria como chamada:
URANDIR FERNANDES
O homem por trás de Zigurats
Pesquisa, empreendedorismo, controvérsias e uma trajetória dedicada à busca pelo conhecimento.
